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A professora dra Graciela Chichilnisky, uma das especialistas que ajudaram a redigir o Protocolo de Kyoto, fez um alerta nesta quinta-feira, 19. Em palestra no Palácio das Cidades, no Rio, ela disse que a conferência internacional sobre o clima, no próximo mês em Copenhague, deve ser vista como "agir ou morrer". Graciela veio ao Brasil a convite da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro e da Sangari Brasil.
Segundo ela, Copenhague será um confronto entre os dois emissores de carbono, os Estados Unidos e a China, bem como das nações ricas frente às mais pobres. "A quantidade de gases causadores do efeito estufa que somente essas duas nações emitem na atmosfera terrestre poderia provocar uma catástrofe no mundo. Os Estados Unidos não querem limitar suas emissões a menos que a China também o faça, mas as nações em desenvolvimento não são solicitadas a reduzir emissões sem uma compensação."
A professora destaca que, se não houver pressão para se assinar o acordo, não haverá acordo. Ela explica que O Mandato de Berlim, em 1995, fez com que o mundo se comprometesse a um acordo. Com isso, nasceu em 1997 o Protocolo de Kyoto, que se tornou lei internacional em 2005. Contudo, os dois emissores do mundo não conseguem concordar com limites.
Em 2007, a Conferência de Bali (COPXIII) concluiu que a reunião deste ano, em Copenhague, resolveria o problema de Kyoto pós-2012. "Portanto, Copenhague é realmente agir ou morrer", reforça. "O aquecimento global é o verdadeiro primeiro problema global que enfrentamos, e mostra-se necessário que todas as nações participem ou não haverá solução."
Soluções
Para solucionar este confronto entre nações ricas e pobres, Graciela propõe uma fórmula que oferece assistência financeiras e técnicas. Na prática, a parte financeira é uma extensão do mercado de carbono e o aspecto tecnológico assegura que as reduções sejam viáveis. Para obter um equilíbrio para as nações, Graciela propõe maneiras de "compensação".
"Por exemplo, os Estados Unidos podem comprar uma 'opção' para reduzir as emissões chinesas e, assim, obter o que eles querem, enquanto proporcionam uma 'compensação' à China, conforme é requerido pela Convenção das Nações Unidas para as nações em desenvolvimento."
Na proposta de Graciela, os chineses poderiam fixar um preço mínimo pelos créditos, assegurando-se de que não estejam vendendo crescimento econômico a troco de ninharias, explica Graciela. Ela informa que esta proposta permite assistência técnica e financeira para os dois lados.
Quem é Graciela Chichilnisky
Chichilnisky é professora de Economia e Matemática Estatística da Universidade de Columbia, em Nova York, formada pelo MIT e UC Berkeley, com Ph. D. em Matemática e Economia, respectivamente. Autora de 14 livros e 222 artigos científicos publicados em revistas acadêmicas, teve intensa participação no processo do Protocolo de Kyoto, com a criação do "mercado de carbono", que se tornou lei internacional em 2005. Seu trabalho pioneiro se utiliza de mecanismos de mercado inovadores para reduzir as emissões de carbono e conservar a biodiversidade.
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