Depois de quase cinco anos de trabalho, o Centro Nacional em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), companhia pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), inaugura hoje em Porto Alegre a primeira fábrica de circuitos integrados (chips) da América Latina já pensando na expansão do projeto. Se os negócios correrem conforme o planejado, em 2013 será necessária a construção de uma nova unidade industrial, orçada preliminarmente em US$ 1bilhão, informou o presidente da empresa estatal, o alemão Eduard Weichselbaumer.
A unidade, que será inaugurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República, é o ponto alto de um processo iniciado em abril de 2005, quando começou a construção das instalações do Ceitec.
O projeto já exigiu investimentos de R$ 400 milhões, além de outros R$ 25 milhões que serão aplicados em obras complementares e fazem parte do orçamento de R$ 79 milhões reservado pelo MCT em 2010. Segundo Weichselbaumer, a meta da companhia é atingir o equilíbrio econômico-financeiro, sem considerar a amortização do investimento inicial, em cerca de três anos.
Constituído originalmente como uma associação civil sem fins lucrativos e transformada em uma companhia estatal federal por decreto do presidente da República em novembro de 2008, o Ceitec já desenvolveu circuitos integrados para rastreabilidade bovina (o "chip do boi"), para automação industrial e para moduladores de TV digital.
O centro escolheu como nichos de operação os sistemas de identificação por radiofrequência (RFID, na sigla em inglês), de comunicação sem fio (como as redes WiFi e WiMax) e de multimídias digitais em função das perspectivas de demanda da indústria nacional.
Agora, além de desenhar os circuitos integrados, a companhia vai produzir os chips para RFID a partir de lâminas de silício ("wafers") de seis polegadas de diâmetro adquiridas no mercado internacional, explicou Weichselbaumer.
De acordo com o executivo, até o fim do ano, após os ajustes e a "qualificação" de todos os equipamentos, o grau de eficiência da operação, que mede o nível de aproveitamento dos "wafers", será de cerca de 90%.
A capacidade de produção do Ceitec vai variar de 50 milhões a 100 milhões de chips para RFID por ano, dependendo das dimensões de cada um, revelou o executivo. Já os demais tipos de circuitos integrados desenvolvidos pela companhia - para comunicação sem fio e para multimídias digitais - serão enviados para produção fora do Brasil, pelo menos até a implantação da segunda etapa do projeto do Ceitec, em 2013.
Segundo Weichselbaumer, um dos objetivos da construção da segunda fábrica será absorver a produção desses circuitos, além de desenvolver chips mais modernos, de tecnologia mais avançada e em quantidades maiores. Nessa etapa, a companhia deverá buscar também a participação da iniciativa privada para bancar o investimento, disse o presidente do Ceitec. A forma de entrada do capital privado no empreendimento ainda não foi definida, mas quando migrou de associação civil para estatal o centro foi constituído como uma sociedade anônima.
O primeiro circuito integrado produzido em Porto Alegre será o "chip do boi", que será vendido por R$ 2,50 a R$ 3, contra R$ 4 a R$ 7 dos similares importados, informou o executivo. O produto - ainda fabricado fora do país a partir do projeto desenvolvido pelo centro - já está em testes de campo e tem grande potencial de mercado, comentou Weichselbaumer.
"O rebanho bovino brasileiro tem 200 milhões de cabeças, se renova a cada três ou quatro anos e hoje apenas um percentual muito pequeno dos animais usa brincos ópticos de identificação", comentou o presidente do Ceitec. De acordo com o executivo, a companhia também está desenvolvendo outros dois chips RFID para identificação de produtos industriais e farmacêuticos, que podem representar a produção de cerca de 10 milhões de unidades já em 2011.
Valor Econômico, 05/02/2010
6 de Setembro de 2010 |
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