A Fundação Centro de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), de Florianópolis, já participou de muitos projetos inovadores em seus 25 anos. O mais famoso deles foi o desenvolvimento da urna eletrônica brasileira. Requisitada novamente pelo governo federal, ela acaba de elaborar para o Ministério da Educação (MEC) um equipamento conceitual voltado para professores e que une, em uma única peça, projetor e computador.
Segundo o secretário de educação a distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, a ideia surgiu há cerca de dois anos com o objetivo de tornar mais simples o uso da tecnologia da sala de aula, reunindo em um único equipamento, portátil e robusto, recursos que facilitem a criação de novas práticas nas escolas públicas, baseadas no uso de multimídia e da internet, por exemplo.
Batizado de Arthur, além da capacidade de projeção, ele conta com leitor de CD e DVD, teclado embutido, mouse, sistema de som e pode se conectar à internet sem o uso de cabos e fios. No final do ano passado, 430 unidades protótipo do equipamento foram fabricadas pela Certi. A maioria delas já foi entregue entre a escolas públicas para testes.
Entre seus recursos, o equipamento esconde uma inovação pouco visível, mas estratégica: a preocupação de aliar microeletrônica e preservação ambiental. Isso porque o processo produtivo utilizado pela Certi foi baseado no ecodesign.
O conceito, segundo o superintende de operação da fundação, Günther Pfeiffer, tem como objetivo aliar desenvolvimento econômico e consciência ecológica. "É uma filosofia de trabalho, que começa com a concepção de um produto ou processo produtivo e segue até o final da vida dos mesmos", diz.
No caso da Certi, o ecodesign se une à área de tecnologia da informação e comunicação.
Dentro dessa linha, a entidade procura fazer com que seus projetos sejam econômicos no uso de recursos e usem poucas substâncias perigosas para o meio ambiente.
Mudança na produção
De acordo com o Pfeiffer, a entidade começou a trabalhar de modo mais objetivo com o ecodesign a partir de 2005, principalmente devido às mudanças do mercado mundial de tecnologia.
Em algumas regiões, com é o caso da União Europeia, existem restrições a produtos fabricados com práticas que degradam a natureza.
"Um produto, para ser competitivo, precisa ser comercializado no Brasil e na América do Sul, na Europa e em qualquer parte do mundo. Esse fato nos fez perceber que precisávamos trazer o ecodesign para nosso ciclo de desenvolvimento", afirma.
Por ter seu processo de fabricação totalmente concebido pela Certi, o Arthur é o produto da fundação no qual o ecodesign foi mais utilizado até o momento. Para a produção do equipamento foram usados plásticos de fácil degradação e reprocessamento. A Certi também procurou desenvolver um equipamento de peso reduzido, com pouco mais de três quilos, característica que facilita a vida do professor. Também diminui-se a quantidade de energia utilizada na fabricação. Quanto à matéria-prima, tanto sua quantidade quanto sua variedade foram reduzidas. "Isso facilitará a reciclagem", afirma Pfeiffer.
A fundação usou o maior número possível de componentes que atendessem à diretiva RoSH, da União Europeia, que restringe o uso de subs-tâncias perigosas - como mercúrio, cádmio e chumbo - na fabricação de produtos eletrônicos.
Alémdo Arthur, a Certi trabalha comdiversas outras iniciativas em ecodesign. Entre as principais está o desenvolvimento de placas eletrônicas para pequenas e médias empresas no seu laboratório-fábrica, o Labelectron.
"Muitas vezes é preciso fazer um novo projeto por causa das mudanças necessárias na soldagem, por exemplo, que não podem conter chumbo. São inovações importante no processo produtivo", afirma Pfeiffer.
MEC prepara edital de produção
O Ministério da Educação (MEC) está com quase tudo pronto para lançar o edital de licitação para escolher o fabricante do computador Arthur, mas não confirma uma data. A meta é que, produzido em larga escala, o produto custe cerca de R$ 2 mil. O primeiro protótipo foi feito dentro do próprio MEC.
"Funcionou, mas ficou feio. Uma colega disse que parecia um monstro", diz Carlos Eduardo Bielschowsky, secretário de educação a distância do MEC.
A Universidade Federal de Pernambuco também desenvolveu um protótipo, mas o modelo da Certi foi considerado o mais adequado.
DA IDEIA AO PRODUTO
Busca por aulas mais interativas
A ideia de criar um computador com projetor para professores nasceu no MEC, há cerca de dois anos, em uma conversa sobre como levar conteúdos digitais à sala de aula.
Solução compacta de multifuncional
Aparelho criado pela Certi tem processador Intel Atom 330, 1 GB de memória RAM, mouse, teclado, projetor, entrada de microfone, saída de áudio e dispositivo para internet sem fio
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Por ter seu processo de fabricação totalmente concebido pela Certi, o computador é o produto da fundação no qual o ecodesign foi mais utilizado até o momento
Brasil Econômico/BR - 05/03/2010
10 de Setembro de 2010 |
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