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O ensino de ciências está na base de formação dos profissionais que devem se destacar no Brasil nos próximos anos. Uma pesquisa realizada pelo Programa de Estudos do Futuro (Profuturo), ligado à Fundação Instituto de Administração (FIA), mostra que as áreas promissoras são meio ambiente, relações internacionais, qualidade de vida e internet.
"As empresas que quiserem ser mais competitivas terão que desenvolver novas tecnologias. As companhias terão que desenvolver produtos sustentáveis. E o cidadão mais consciente, com uma base em formação científica, vai cobrar estes produtos. Ou seja, tanto para a formação do profissional quanto para a conscientização do indivíduo dentro da sociedade, o ensino de ciências é condição básica", afirma Renata Giovinazzo Spers, professora da FIA.
O diretor de Pesquisas do Instituto Sangari, Julio Jacobo Waiselfisz, destaca que o futuro vai exigir mais do que a formação qualificada em geral. Será necessário o desenvolvimento de habilidades específicas ligadas a atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, e a educação em ciências é fundamental para preparar os estudantes que vão ingressar nos cursos técnicos, nas universidades e nas instituições de P&D.
"Da educação científica depende a compreensão e o enfrentamento de questões sumamente relevantes da atualidade. Mesmo a comunicação interpessoal e o lazer dependem do domínio científico relativo às novas tecnologias, como softwares, aplicativos, redes etc. Portanto, seja para manusear um equipamento de alta tecnologia ou para acompanhar os acontecimentos do mundo e traçar estratégias de crescimento, as empresas vão precisar de profissionais com noções de ciências", explica Waiselfisz, que também é autor do livro "O ensino das ciências no Brasil e o Pisa".
A professora da FIA conta que, para a elaboração da pesquisa sobre as carreiras do futuro, partiu de dados apurados no cenário internacional - World Future Society e Divisão de Estatísticas do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. "Como não havia nada pesquisado no Brasil, recorremos a estes dados e trouxemos para a realidade brasileira", afirma.
A World Future Society aponta que as oportunidades estão voltadas para a globalização, envelhecimento da população e tendências sociais, tecnológicas e nos negócios. Os dados americanos do Departamento do Trabalho destacam o setor de serviços, principalmente as áreas relacionadas à saúde, comunicação e internet.
Para adaptar à realidade brasileira, o Profuturo preparou questionários a partir das informações internacionais e enviou a 30 executivos, profissionais de RH e formadores de opinião. Renata explica que o método utilizado Delphi foi realizado em duas rodadas e priorizou as conclusões por consenso.
Dentro das áreas de maior destaque, a pesquisa da FIA mostrou as carreiras promissoras para o período de 2008 a 2020. "Ainda não existem especificamente estes cursos dentro das universidades, porque a educação acaba se adequando às necessidades do mercado. Mas, em breve, elas vão surgir", afirma a professora.
Até por conta da ausência de cursos prontos para essas carreiras, a postura investigativa, o espírito de pesquisa e a capacidade de estabelecer métodos e processos tornam-se características importantes para os jovens neste momento.
Veja abaixo as carreiras emergentes apontadas pela pesquisa da FIA:
- Gerente de Eco-relações: profissional que irá se comunicar e trabalhar com consumidores, grupos ambientais e agências governamentais para desenvolver e maximizar programas ecológicos.
- Chief Innovation Officer: interagirá com os funcionários em diferentes áreas da organização para pesquisar, projetar e aplicar inovações.
- Gerente de Marketing e-Commerce: gerencia o desenvolvimento e implementação de estratégias de web sites para vender produtos e serviços.
- Conselheiros de Aposentadoria: profissionais responsáveis por ajudar a planejar a aposentadoria.
- Coordenador de Desenvolvimento da Força de Trabalho e Educação Continuada: coordenador responsável por gerenciar programas para ajudar funcionários qualificados a atingir níveis avançados em suas áreas de especialização.
- Bioinformationists: cientistas que trabalharão com informação genética, servindo como uma ponte para cientistas que trabalham com o desenvolvimento de medicamentos e técnicas clínicas.
- Técnico em Telemedicina: fará parte de uma equipe que oferecerá tratamento médico e diagnóstico para pessoas em áreas remotas.
- Gerente de Propaganda On line: desenvolve, implementa e gerencia a estratégia de propaganda com a utilização de web site.
- Coordenador de Terceirização Offshore: profissional responsável por cuidar que os fornecedores terceirizados estão mantendo determinados padrões, além de prospectar novas oportunidades de terceirização.
- Chief Health Officer: profissional responsável pelo estabelecimento de programas para cuidados com a saúde e reavaliação do sistema de seguros da companhia.
- Especialistas em Simplicidade: profissionais que simplificarão e melhorarão a eficiência da tecnologia da corporação.
- Conselheiro Genético: identificam e dão suporte para famílias que têm membros com desordens genéticas ou aquelas que podem ter o risco de uma variedade de condições predisposições.
- Analistas de Networking: pesquisarão o verdadeiro fluxo de poder dentro de uma companhia.
- Geomicrobiologistas: profissionais que unem geologia, ciências do meio ambiente e microbiologia para estudar como microorganismos podem ajudar a fazer novos medicamentos e limpar a poluição.
- Gerente de Diversidade: executivo responsável por assegurar que nenhum grupo na empresa está sendo tratado com preconceito.
- Coordenador de Experiências Educacionais: criam métodos de aprendizagem que possam ser acessados de diferentes formas - como a Web.
- Age Adviser: conciliarão desacordos entre grupos de diferentes idades dentro das empresas e assegura que cada departamento tem um mix adequado de diferentes gerações.
- Web Producer: desenvolve, implementa e mantém aplicações de web para sites de e-Commerce consistente com a estratégia e imagem da companhia.
- Planejador de Reconstituição de Sistemas: desenvolve, projeta, testa e implementa procedimentos para proteger as atividades dos sistemas de informação no caso de emergências ou desastres.
- Historiador Corporativo: profissional responsável por resgatar projetos, programas, problemas, soluções e resultados da organização.
9 de Fevereiro de 2010 |
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