A primeira avaliação do impacto da metodologia da Sangari Brasil nas escolas públicas municipais do Rio de Janeiro revelou que o desempenho dos alunos na área de Ciências deu um salto significativo. Entre a primeira prova, aplicada em fevereiro de 2010, e a segunda, aplicada em maio, os alunos do programa CTC - Ciência e Tecnologia com Criatividade tiveram um aumento médio de 9,2% nas respostas certas. Isso está muito acima da média do Brasil e do mundo.
Para se ter uma ideia, a melhora de desempenho de um aluno brasileiro em Ciências não passa de 0,1% ao longo de um ano, segundo a pontuação obtida pelo Brasil entre 2003 e 2006 no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês). Também na comparação com países ricos há vantagem: na Dinamarca, país que teve o maior avanço no desempenho de estudantes em Ciências entre 2003 e 2006, a taxa anual de melhora foi de apenas 1,4%.
Mesmo nas escolas cariocas que normalmente têm notas baixas nas avaliações do Ministério da Educação - classificadas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) - os alunos do CTC tiveram um avanço muito expressivo, de 8,1%. Nas escolas de Ideb mais alto, a melhora entre a primeira prova e a segunda foi ainda maior, de 13,6%.
A avaliação utilizou provas de múltipla escolha aplicadas a alunos de 4º e 8º anos das 160 Escolas do Amanhã - 150 localizadas em áreas de risco e dez com alto Ideb -, nas quais a Secretaria Municipal de Educação do Rio implantou o período integral e adotou a metodologia da Sangari para o ensino de Ciências, entre outras iniciativas. A primeira prova foi aplicada a 3.875 estudantes e a segunda, a 3.561, todos pertencentes às mesmas turmas.
Para controlar o "efeito aprendizagem" (quem já fez a prova uma vez tende a respondê-la melhor numa segunda oportunidade), os estudantes receberam dois tipos diferentes de cadernos de testes. Turmas que responderam ao modelo A na primeira prova receberam o modelo B na segunda, e vice-versa. Todas as questões estavam relacionadas ao conteúdo do programa CTC, que no Rio ganhou o nome Cientistas do Amanhã.
A melhora do desempenho dos alunos do CTC foi mais acentuada nas turmas de 8º ano. Enquanto os estudantes de 4º ano avançaram 8,1%, os de 8º tiveram 10,3% mais acertos no segundo teste do que no primeiro (são esses dois porcentuais que resultam na média geral de +9,2%). Esta diferença permite uma projeção bastante positiva para o futuro próximo, segundo o diretor de Pesquisa e Avaliação da Sangari Brasil, Júlio Jacobo Waiselfisz, coordenador da avaliação.
Numa turma de alunos que ingressa no 4º ano e que cursa os anos subsequentes com um ganho anual de pelo menos 8,1%, podendo chegar a 10,3%, é possível prever que seu desempenho no 8º ano será muito bom, diz Jacobo, um pesquisador com larga experiência em avaliações educacionais, inclusive para o Ministério da Educação e para a Unesco.
A título de exercício, Jacobo calcula como ficaria a posição das escolas municipais do Rio no ranking nacional do Ideb para turmas de 8º ano, se todas tivessem o desempenho verificado com o CTC. Com uma melhora anual de 8,1%, o 8º ano carioca passaria do atual 873º lugar (entre 3.001 municípios) para a 45ª posição; se a melhora for de 10,8% (média entre as escolas CTC de mais alto e mais baixo Ideb), o Rio passa para 3º no ranking nacional.
Os bons resultados dos estudantes no Rio de Janeiro não surpreendem, porque uma avaliação semelhante realizada na Argentina já havia demonstrado uma melhora de desempenho igualmente elevada. Os alunos do CTC nas escolas públicas das províncias de Buenos Aires e Tucumán passaram de 473 pontos na primeira prova geral de Ciências para 528 pontos na segunda, uma melhora de 11,6% nos acertos. Nos testes com questões exclusivamente ligadas ao CTC, o desempenho aumentou ainda mais: de 469 pontos para 531, melhora de 13% entre o início e o fim do ciclo letivo.
Na Argentina a avaliação foi conduzida ao longo do ano de 2009 pelo Instituto Internacional de Planejamento da Educação (IIPE), da Unesco, e pelo Instituto de Evaluación Educativa (IEE), da Universidade Católica do Uruguai, sob encomenda do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Ministério da Educação da Argentina. O BID financia o programa CTC nas escolas públicas das duas províncias, e o Ministério da Educação é parceiro das autoridades locais na implementação da metodologia da Sangari.
